terça-feira, 3 de maio de 2011

Levo.

Queria que você visse agora minha cara de quem gosta de você.
Volta pra perto da gente, me mostra tua coragem, traz o que levou de mim, que eu acabo contigo.
Eu já paguei as contas, apaguei os passos da estrada e nem se quer lembro daquele nosso lugar, daquele banquinho de praça, debaixo da árvore de flor roxa, em cima do chão de pequenos paralelepípedos tortos e da graminha que nascia entre eles, não lembro. 
Descobri que o futuro é só o passado com as luzes apagadas e a gente vai acendendo aos poucos... mas eu tenho medo de que, em um dos poucos, eu acenda e veja você, porque o meu lugar é longe do seu futuro... Como eu vou? Apenas indo, apenas indo, sem querer voltar. Sinto raiva e um sentimento incomum, intragável, mas irresistível.
Não sei o nome, e nunca sei... Sei que sinto.
Foi bom correr na chuva contigo aquele dia, a chuva lava a alma da gente.
Fico lembrando de quando você dizia, no sentido literal, que eu ia cair enquanto você me beijava - oras, e vai deixar? você dizia que não, que me seguraria. Mas não segurou. Eu fui caindo e você deixou, na verdade, me empurrou.
Odeio não ser tudo o que você quer pra ser feliz. Quando foi embora, guardei todas as frases feitas, pra nunca ter que te dizer.
É lastimável que eu ainda sinta seu cheiro por aí, não o do perfume, sim o da sua pele e da sua alma. Lastimável. Porque o seu perfume também esqueci, aquele que deixa um cheiro de rastro, um rastro de aventura, aventura amadeirada, madeira pura.
Suas  mentiras eram verdades perfeitas.
Eu sinto saudade com sabor do nosso brigadeiro que não fizemos.
Não, não sinto saudade de você, nem me lembro de você, de cada traço, de cada canto seu, de cada fio dourado, da sua mão perfeita que nunca sabia o que fazer, nem me lembro.
So sinto falta do que fomos.
É fácil esconder o que sente já que o brilho dos seus olhos se escondeu.
Mas, só mais uma vez, me toca, me tenta que eu te deixo pra trás.

E levo essa saudade do que não lembro, enquanto não posso te levar.

6 comentários:

Fernando Costa Jim disse...

Gostei muito *-*

Parcelas de Pizzicato disse...

As vezes acho que você escreve para mim, por mim.


Te amo.

Tantão

Gabriel G. disse...

Cara - no feminino de algo valioso, essa prosa é sensual, me fez sentir no cabaré com minha dançarina misteriosa que dança de acordo com a fumaça do meu cigarro...
Cara, aos poucos você revela ser que não quer mostrar, se eu tivesse uma nota de cinquenta aqui no bolso, eu te daria agora só para continuar dançando e se mostrando pra mim, pra gente...
Lindo, lindo...
sem mais.

Lorraine disse...

Me lembra a época que um amigo meu namorava uma menina linda, era apaixonante a relação. Mas ele teve que ir embora para trabalhar, e ela ficou com o coração no fundo do peito sem esperanças mais. Vai ver ela amava ele... seilá né.

Alessandro disse...

Nuuuh...Adooorei!! Sempre piro nas coisas que você escreve pq vira e meche, eu acabo pensando em algum momento da vida que reflete o que você escreveu o.O PARABENS Luuu.

Lorraine disse...

A quem me referi? Não, não queira saber. Meu post foi quase uma metáfora.