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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bailarina de papel.

Naquele mundo era bom ter sonhos, porque eles não custavam nada e a gente sempre se lembrava deles. Só esqueciamos os pesadelos da infância.
No cesto de lixo morava uma moça bonita feita de papel metálico, que conhecia muito bem a história da Bailarina e o Soldado de Chumbo. Mas quando cresceu, sinceramente, passou a odiá-la. Revoltada, se perguntava 'como um Soldado de Chumbo poderia amar, se ele nem deveria ter coração?' A verdade é que ela também não deveria ter um.
Tinha o sonho de dançar feito borboleta e se apaixonar. Engraçado que apesar de sonho, ela tentava não se lembrar disso. Se acostumou com a idéia de que só seres de carne e osso, e também as plantas, pudessem amar.
Feita de um papel alumínio tirado da embalagem de um bombom, de fato parecia de chumbo, mas era molinha, molinha. Afinal, apesar do alumínio, ainda era papel.
Mas aí ela leu: Sonho de Valsa.
Sonho... sonho... valsa... sonho... 1, 2, 3 e 1, 2, 3... borboleta... valsa... 1, 2, 3 e 1, 2, 3, e apaixonar... sonho... e valsa...
E dançou.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

06/01/09


A pequena bailarina não conseguia entender como ou quando os acontecimentos haviam resolvido ser tão duros com ela. Duas mudanças assim, sem mais nem mais ou menos. Só menos e menos ainda. Se sentia pesada, pra baixo. Despediu-se do melhor amigo há uns seis meses, e do seu melhor amor, há exatas vinte e quatro horas. Passou o dia todo pensando nisso, o caminho de volta pra casa ficou sem sentido, por isso tentou ir o mais rápido possível.
Um senhor de bengala, bem velhinho, pele enrugada e cabelos bem branquinhos vinha vindo, ou melhor, ía indo. Ao certo percebeu a tristeza no olhar dela. Mas como? Ela nem se quer o olhara nos olhos! Numa atitude travessa e rápida demais para a idade, se lembrou da adolescência, roubou uma flor da casa de um desconhecido e antes que a bailarina passasse por ele sem ao menos notá-lo, ele lhe estendeu a flor. "Pegue moça, essa eu panhei pra você!" Então ela o notou.
Pegou a flor, agradeceu...
e continuou.

Beijo, Lu.

"Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os ohos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu. Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças."

(Cecília Meireles)